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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

João Donato - A Bad Donato

Histórico - neste disco, o pianista e arranjador João Donato deixa de lado a comportada bossa nova pra partir numa experiência mais maliciosa. Influenciado pelo swingado do funk, por ritmos caribenos e pela versatilidade do jazz fusion, Donato faz jus ao Bad que assume no título do álbum. É um disco nervoso, com pegada, que nada lembra a calmaria da bossa nova.
Quando concebeu a ideia do disco, Donato não sabia o quê e como gravar, mas como ganhou total respaldo da gravadora, pode inovar: gravou todas as músicas com instrumentos dobrados, ou seja, com duas guitarras, dois baixos, duas baterias...
Lançado quando o músico morava nos Estados Unidos, A Bad Donato ficou inédito no Brasil até pouco tempo, quando o selo Dubas lançou o álbum simultaneamente aqui e no Japão.
Ficha Técnica
Ano - 1970
Gênero - jazz fusion
Gravadora - Blue Thumb
Faixas
1 - The Frog
2 - Celestial Showers
3 - Bambu
4 - Lunar Tune
5 - Cadê Jodel
6 - Debutante's Ball
7 - Staight Jacket
8 - Mosquito
9 - Almas Irmãs
10 - Malandro

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Tim Maia Racional Vol I & Vol II

Histórico - num certo dia no ano de 1975 Tim Maia estava de bobeira na casa de seu amigo e músico Tibério Gaspar quando se deparou com um pequeno livro de capa branca. Gaspar explicou que o livro se tratava da cultura do Universo em Desencanto e dizia que todos os seres humanos estavam na Terra porque foram exilados de um outro planeta distante. Tim, que sempre foi ateu, se interessou por essa cultura e foi conhecer pessoalmente mestre Manoel Jachinto Coelho, autor dessa tese.
Tim se incorporou a Cultura Racional. Parou de usar drogas, passou a usar roupas somente da cor branca e obrigou os seus músicos a seguirem a "religião". Reza a lenda que ele mandou um exemplar do livro para John Lennon, que respondeu de forma irônica: enviou um foto sua nu com a mensagem - "querido esquisito, eu não entendo português. O que você acha de ler esta foto?".
Logo, a influência do fanatismo chegou à música e Tim usou toda a sua criatividade musical para fazer uma espécie de promoção da Cultura Racional. Surgiram assim, os miticos Tim Maia Racional Vol. I e Vol. II.
A gravadora não gostou da proposta dos discos e vetou o lançamento. Tim rompeu o contrato com a Phillips e fundou o seu próprio selo, o Seroma e distribuiu cópias limitadas do álbum de forma independente. Isso contribuiu para que os discos se tornassem objetos de desejo para muitos colecionadores.
Quando Tim descobriu que Manoel Jachinto Coelho estava ganhando rios de dinheiro em cima de sua fé, resolveu abandonar a Cultura Racional e enterar essa fase de sua vida.
Apesar das letras serem fracas (algumas têm apenas uma ou duas frases, parece método de lavagem cerebral), a genialidade musical de Tim faz com que estes discos figurem entre os melhores do funk e soul nacional.
Ficha Técnica
Ano - 1975
Gênero - funk, soul
Gravadora - Seroma
Faixas
Vol. I
1 - Imunização Racional (Que Beleza)
2 - O Grão Mestre Varonil
3 - Bom Senso
4 - Energia Racional
5 - Leia o livro Universo Em Desencanto
6 - Contato Com o Mundo Racional
7 - Universo Em Desencanto
8 - You Don't Know What I Know
9 - Rational Culture
Vol. II
1 - Quer Queira Quer Não Queira
2 - Paz Interior
3 - O Caminho do Bem
4 - Energia Racional
5 - Que Legal
6 - Sultura Racional
7 - O Dever de Fazer Propaganda Deste Conhecimento
8 - Quiné Bissau, Moçambique e Angola Racional
9 - Imunização Racional (Que Beleza)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dom Salvador e Abolição - Som, Sangue e Raça

Histórico - discaço, esta pérola é dos álbuns mais importantes do funk nacional. O talentoso pianista Dom Salvador dá um toque jazzístico ao som suingado do octeto Abolição, criando assim uma sonoridade única.
Nota-se, além das influências de funk, soul e jazz, uma grande afinidade com ritmos brasileiros, como o forró nordestino em "Hey Você", da bossa nova e do samba no tema "Samba do Malandrinho". Um disco que mostra toda a pluridade musical de Dom Salvador.
Ficha Técnica
Ano - 1971
Gênero - funk, MPB, samba
Gravadora - CBS
Produzido por: Ian Guest
Faixas
1 - Uma Vida
2 - Guanabara
3 - Hei! Você
4 - Som, Sangue e Raça
5 - Tema Pro Gaguinho
6 - O Rio
7 - Evo
8 - Numbre One
9 - Folia de Reis
10 - Moeda, Reza e Cor
11 - Samba do Malandrinho
12 - Tio Macrô

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sharon Jones & The Dap-Kings - 100 Days 100 Nights

Histórico - magnífica cantora, Sharon Jones iniciou sua carreira na concorrida década de 70, participando de gravações de vários grupos, porém nunca conseguiu gravar o seu próprio álbum. Aos 25 anos já estava desacreditando na carreira musical e iniciava um emprego como carcereira duma penitenciária de Nova York.
Em 1996, aos 40 anos, foi chamada pelo marido saxofonista para integrar o trio de backing vocal de seu grupo. Quando os produtores da Desco Records ouviram sua potente voz, não tiveram dúvida: dispensaram as outras meninas do coro e contrataram Sharon.
A Desco Records mudou de nome para Daptone Records e lançou três álbuns com a cantora: "Dap Dippin" (2001), "Naturally" (2005) e este "100 Days 100 Nights" (2007).
Sharon contou com uma mãozinha do outro lado do Atlântico para tornar seu nome mundialmente conhecido. A cantora Amy Winehouse estava procurando uma banda para a gravação de "Back to Black" e encontrou no grupo de apoio de Sharon, os Dap-Kings, a sonoridade que estava procurando. A parceria entre a britânica e os músicos estadunidenses deu certo, o álbum vendeu quase 7 milhões de cópias, ganhou Grammys e chamou a atenção do mundo da música para Sharon Jones, a verdadeira líder daquela ótima banda.
Este terceiro disco traz uma sonoridade mais funkeada do que os trabalhos anteriores. Sharon pega o ouvinte pela mão e o faz passear pelo o que de melhor já foi feito pela Motown e Stax. Funk de primeira do inicio ao fim.
Ficha Técnica
Ano - 2007
Gênero - funk
Gravadora - Daptone Records
Produzido por: Scott Hull & Paul Gold
Faixas
1 - 100 Days, 100 Nights
2 - Nobody's Baby
3 - Tell Me
4 - Be Easy
5 - When The Other Foot Drops, Uncle
6 - Let Them Rock
7 - Something's Changed
8 - Humble Me
9 - Keep On Looking
10 - Answer Me

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Funkadelic - Uncle Jam Wants You

Histórico - George Clinton convoca você para integrar o funk neste álbum. Parodiando o estilo de vida estadunidense e os conflitos militares (desde o slogan do Tio Sam até a versão funk do hino), o Funkadelic entra de cabeça nos anos 1980 e dita qual seria a trilha sonora da moçada naquela década.
Até hoje muitos djs e rappers usam samples deste disco para animar festas. Escute este álbum. É uma ordem.
Ficha Técnica
Ano - 1979
Gênero - funk
Gravadora - WB Records
Produzido por: Dr. Funkenstein
Faixas
1 - Freak Of The Week
2 - (Not Just) Knee Deep
3 - Uncle Jam
4 - Holly Want To Go To California
5 - Field Maneuvers
6 - Foot Soldiers (Star Spangled Funky)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Waltel Branco - Meu Balanço

Histórico - o maestro e violonista Waltel Branco é uma figura ímpar da música popular brasileira. Nascido em Paranaguá em 22 de novembro de 1929 (coincidência ou destino, no Dia do Músico), começou sua aplicação musical logo cedo com seu pai e com o tempo, a cidade portuária ficou pequena para seu talento. Rumou para o exterior e tocou com Nat King Cole, Henry Mancini, Quincy Jones entre outros. Ficou amigo de Fidel Castro. Teve aulas com Andres Segóvia. Fez seu nome mundo afora.
De volta a pátria mãe, trabalhou mais tempo que qualquer ser humano aguentaria com João Gilberto e foi convidado por Roberto Marinho para produzir trilhas sonoras de novelas. Entre discos produzidos, arranjados e participações, Waltel deu seu toque de Midas a tantos álbuns que nem o próprio consegue numerar.
Uma prova de seu talento é este Meu Balanço. Sua gênese surgiu após Waltel finalizar um álbum de Roberto Carlos, e com as oito horas de estúdio que sobrou, o mestre criou uma das pérolas mais apetitosas do funk brasileiro. Pode-se sentir uma pitada pimentada de Isaac Hayes e as músicas "Zoraia", "Luar do Sertão" e a faixa título cairiam como uma luva na trilha sonora de Shaft. Mas a levada malandra, com o caprichado arranjo de cordas e a influência do samba e da música brasileira em geral fazem este disco ter identidade única.
Enfim, este é um álbum imperdível.
Ficha Técnica
Ano - 1975
Gênero - Funk
Gravadora - CBS
Produzido por: Waltel Branco
Faixas
1 - Luar do Sertão
2 - Sonho no Céu
3 - Meu Balanço
4 - Lady Samba
5 - Apenas Um Coração Solitário
6 - Jael
7 - Walking
8 - Satiricon
9 - Carmen
10 - Meiguice
11 - Pettit Fils
12 - Zoraia

domingo, 5 de julho de 2009

Toni Tornado - B. R. 3

Histórico - Toni Tornado conseguiu fama após ganhar o V Festival Internacional da Canção com a música título deste álbum, BR-3. Inicialmente, a canção era para ser interpretada por Wilson Simonal ou por Tim Maia, mas diante da recusa dos dois cantores, os compositores Antonio Adolfo e Tibério Gaspar foram buscar o intérprete perfeito da canção numa boate do subúrbio carioca. Curiosos para conhecer um cantor, que diziam, tinha um estilo muito próximo ao movimento Black Power estadunidense, eles se depararam com um negro enorme, de quase dois metros de altura, que possuia um suingue soul muito apurado. Pronto. O crooner antes conhecido como Tony Checker ganhou o apropriado apelido de Tornado. Toni Tornado.
Sempre engajado pelos movimentos de igualdade racial, Toni fazia em suas apresentações gestos característicos do grupo Pantera Negra, causando a ira dos militares que o deportaram do país em 1972. De volta ao Brasil, o cantor mudou de ramo, tornando-se ator.
Ficha Técnica
Ano - 1970
Gênero - soul, funk
Gravadora - Odeon
Produzido por: Milton Miranda e Lyrio Panicali
Faixas
1 - Juízo Final
2 - Não Lhe Quero Mais
3 - Dei a Partida
4 - Um Canção Prá Arla
5 - Breve Loteria
6 - Eu Disse Amém
7 - BR3
8 - Uma Vida
9 - Papai, Não Foi Esse o Mundo Que Você Falou
10 - Me Libertei
11 - O Repórter Informou
12 - O Jornaleiro